terça-feira, 3 de novembro de 2009

Daniel Azulay em Lisboa a celebrar 30 anos de carreira

Daniel Azulay, pedagogo e artista plástico brasileiro que marcou várias gerações de crianças a partir dos anos 70, comemora 30 anos de carreira em Portugal. Assim, a Casa da América Latina recebe a exposição “A Porta” e o atelier para crianças “Algodão Doce”.

Inaugurada no dia 20 de Outubro na Casa da América Latina, “A Porta” é a quarta exposição de Daniel Azulay na Europa, depois de duas mostras na Finlândia, "The Door" - AVA Galleria (2007) e “Cores Tropicais” - Centro Cultural Poleeni de Pieksämäki (2009); e na Suécia, Estocolmo, com “The Beginning of Life 1” - GalleriArtes Brasil (2007). A mostra traz ao público português a visão criativa de um artista versátil que, ao longo de uma consistente carreira, atingiu grande maturidade no campo da pintura contemporânea.


Na manhã de sábado, 24 de Outubro, a Casa da América Latina recebeu um grupo de crianças para o atelier de desenho “Algodão Doce” conduzido pelo próprio Daniel Azulay. Daniel era interactivo, mesmo antes deste conceito entrar na moda. O termo reciclagem ainda nem existia e ele já propunha às crianças o uso pioneiro de lixo doméstico, a reutilização de materiais de forma criativa. E foi sob este mote que o atelier decorreu.

Daniel Azulay
É um dos grandes ídolos da geração que cresceu nos anos 70 e 80 no Brasil. A sua presença na televisão marcou uma época. Ao contrário de outros apresentadores, que se limitavam a uma pequena interacção com o público e a exibir desenhos animados estrangeiros, Daniel foi dos primeiros apresentadores infantis a estimular as crianças a pensar por si próprias e a desenvolver a criatividade através da arte. Artista plástico e gráfico, Daniel Azulay foi, na época, um grande difusor do desenho artístico e da tradição oral dos contadores de histórias.

Clube de Leitura das Américas - 2666, de Roberto Bolaño

Dia 12 de Outubro coincidiu com a abertura do Clube de Leitura das Américas. Criativo e lúdico, o Clube, criado em parceria com a Quetzal, é um espaço de debate e discussão sobre livros escolhidos da série américas - linha da editora que traz a Portugal o melhor da literatura latino-americana contemporânea - e da série língua comum, dedicada a autores brasileiros. Sob a orientação José Mário Silva, os 3 primeiros encontros incidem sobre o mais recente lançamento da série américas, 2666, do chileno Roberto Bolaño.


Roberto Bolaño
(Santiago do Chile 1953 – Barcelona 2003). É considerado um dos mais importantes escritores latino-americanos da sua geração. Entre outros prémios, como o Rómulo Gallegos ou o Herralde, Roberto Bolaño já não pôde receber o prestigiado National Book Critics Circle Award, o da Fundación Lara, o Salambó, o Ciudad de Barcelona, o Santiago de Chile ou o Altazor, atribuídos a 2666, unanimemente considerado um fenómeno literário. A publicação de 2666 em Espanha e nos Estados Unidos resultou num caso raro de popularidade a que aos jornais de referência passaram a chamar “Bolañomania”.


José Mário Silva
Jornalista, é coordenador da secção de Livros do suplemento Actual (Expresso), colaborador da revista Ler e mantém o blogue www.bibliotecariodebabel.com


Próximas sessões sobre 2666*:
02 de Novembro e 16 de Novembro.

* Participação mediante inscrição. A participação é gratuita e os membros do clube beneficiam de 10% de desconto na aquisição dos livros.

A Europa na Literatura Latino-Americana – Nápoles em Gabriel García Márquez

Mais uma estreia no mês de Outubro: o ciclo de encontros “A Europa na Literatura Latino Americana”, no dia 7 de Outubro. Leitura encenada de textos de autores latino-americanos com cidades europeias como pano de fundo: onde o Velho Continente não é mera paisagem e culturas, ambientes e imaginários europeus marcam as narrativas. Através da leitura e comentário, procura-se entrever como isso acontece. Todos os textos foram traduzidos de espanhol para português em exclusivo para a Casa da América Latina.


O projecto começou pela cidade de Nápoles, com o conto “Dezassete Ingleses Envenenados”, de Gabriel García Márquez: “Uma velha senhora sul-americana desembarca em Nápoles para concretizar o sonho da sua vida: conhecer o papa. O que encontra é uma cidade que não consegue entender, com uma vida intensa que, aos seus olhos, é simplesmente caótica e incompreensível.”



Próximos encontros:

23 de Novembro – A cidade de Istambul em Luis Sepúlveda, na obra “Diário de un Killer Sentimental”
16 de Dezembro – Espanha em Alejo Carpentier, na obra “La Consagración de la Primavera”